Aldair Dantas
Os medicamentos ajudaram a puxar a inflação para cima
“O IPCA acumulado em 12 meses deve continuar oscilando perto do teto da meta, ora acima ora abaixo, criando algum desconforto, conforme citado na ata da última reunião do Copom”, afirmam os economistas do Banco Fator José Francisco de Lima Gonçalves e Helcio Takeda, em referência ao documento do último encontro do Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC).
A questão metodológica é explicada pelo período a que corresponderão os 12 meses. No cálculo do acumulado em junho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) terá de considerar a taxa relativa a julho do ano passado, de 0,43%, bem maior do que a usada para os 12 meses encerrados em maio (a alta de 0,08% de junho de 2012). O movimento, por si só, permite prever que a meta será extrapolada. Mas as indicações de que a taxa irá superar o “teto” não param por aí.
No cálculo do IPCA de junho, o instituto prevê, além das contribuições expressivas das tarifas de ônibus urbano no Rio de Janeiro (7,27%) e em São Paulo (6,75%), aumentos igualmente fortes nas tarifas de água e esgoto em Belo Horizonte (5,25%) e Fortaleza (8,51%); e de trem em São Paulo (6,75).
“Os analistas não enxergam, nem em um horizonte gigantesco, em termos de projeções, a inflação voltando para o centro da meta e é sobre isso que o BC está atuando”, ressaltou a economista da Rosenberg & Associados, Priscila Godoy.
Em oposição aos serviços administrados, os alimentos devem ajudar a conter a inflação deste mês, comportamento iniciado no mês anterior. Em maio, o grupo de alimentos e bebidas registrou alta de preços menos intensa do que a de abril, revertendo a trajetória que marcou a inflação nos últimos meses, em que produtos como o tomate foram considerados os vilões dos orçamentos das famílias.
Dessa vez, foi exatamente o tomate o item que mais ajudou para a desaceleração do IPCA de 0,55% para 0,37%. O preço do alimento caiu 10,31%, enquanto os remédios, por conta de reajustes autorizados em 31 de março, foram o item que mais pressionou a inflação no mês passado, tendo subido 1,61%.
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