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sábado, junho 8

Conferência de ideias e divulgação do novo Conselho Municipal de Cultura do RN.

Por: Yuno Silva - repórter

“A participação foi maciça, com boa participação dos artistas e em termos de representatividade por parte das instituições. Tivemos plenárias e grupos muito fortes, os debates foram acirrados e as proposições bastante estimulantes. Saio com uma visão muito positiva dessa Conferência”, afirmou Dácio Galvão, presidente da Fundação Capitania das Artes, no saguão de entrada do auditório onde aconteceu a 5ª Conferência Municipal de Cultura. O evento movimentou o IFRN-Cidade Alta de segunda (3) até ontem, e reuniu artistas, produtores culturais e gestores em torno de debates que irão subsidiar a formatação do Plano e do Sistema Municipal de Cultura.
João Maria AlvesÚltimo dia da Conferência serviu para definir as propostas apresentadas. Também foi o momento de eleger representes e o Conselho que vai gerir o Fundo de CulturaÚltimo dia da Conferência serviu para definir as propostas apresentadas. Também foi o momento de eleger representes e o Conselho que vai gerir o Fundo de Cultura

As atividades mais importantes da Conferência aconteceram na terça (4), quando os participantes foram divididos em Grupos de Trabalho e trabalharam na elaboração e sistematização das propostas. Já na quarta-feira (5), com metade do plenário ocupado, foram apresentadas as propostas e abriu-se a votação para eleger os representantes na etapa Estadual. No final da tarde de ontem, ainda houve eleição para renovação do Conselho Municipal de Cultura.

O próximo passo, de acordo com Dácio Galvão, será a criação de uma comissão jurídica que irá depurar o documento final da Conferência para uma depuração do texto. “É importante garantirmos os direitos tributário, administrativo e constitucional, pois ainda vejo muito conflito na área de legislação. No afã de se sugerir proposições para um Plano ideal, até pela demanda reprimida que existe, é natural que surjam propostas que extrapolem um pouco a noção de juridicidade”, avaliou. O presidente da Funcarte adiantou que irá convidar a OAB-RN, a própria Procuradoria do Município e o assessoria jurídica da Funcarte, entre outras instituições, para compor essa comissão. “A intenção, antes dar publicidade ao texto final, é considerar uma série de leis e portarias existente para evitar conflitos de ordem legal”. 

Dácio destacou que algumas propostas “pormenorizaram questões que não cabe no Plano” como a iluminação de áreas privadas que recebem eventos e a obrigatoriedade de se incluir a língua de sinais em teatros e cinema, por exemplo. “Nesses casos, precisamos de outros elementos de regulação, o Plano é um arcabouço”. Ainda não há um prazo para publicar o texto final, mas Dácio quer que “seja o mais rápido possível. Gostaria de resolver tudo até o fim deste ano”.




Yuno SilvaRodrigo Bico, atorRodrigo Bico, ator
Rodrigo Bico e Henrique Fontes, ambos da Rede Potiguar de Teatro e também eleitos para a Conferência Estadual, avaliam como positivo o resultado da etapa Municipal. “Apesar dos atrasos e do tempo curto para os debates, conseguimos dar conta. As discussões foram produtivas e destaco a diversidade de ideias, onde cada um defende ora uma linha mais mercantil para a Cultura, ora mais popular”, disse o ator Rodrigo Bico, integrante do grupo Facetas, Mutretas e Outras Histórias. 

Ele considerou “a adesão boa, com um bom número de participantes”, e frisou a importância dos debates não ficarem restritos ao campo da arte do ponto de vista dos artistas: “Tem o produtor de arte, o fazedor, os mestres, o público apreciador, o crítico, os estudiosos, tem que ser bom para todos”.

Yuno SilvaHenrique Fontes, diretor e dramaturgoHenrique Fontes, diretor e dramaturgo
Para o diretor e dramaturgo Henrique Fontes, apesar do começo “um pouco confuso”, a Conferência engrenou quando as representações começaram a tomar pra si a responsabilidade. “Conseguimos pontuar coisas importantes para o Plano e Sistema Municipal, que se forem postas em práticas todo mundo vai ganhar”. 

Fontes frisou que a noção de se discutir propostas mais gerais, capazes de beneficiar os mais diversos segmentos, foi um dos pontos altos da Conferência. “Nossa atuação não foi específica para o teatro, ampliamos para todo o município”.

O produtor Francisco ‘Chico’ Alves também chamou atenção para o início confuso, “mas na medida que a Conferência foi andando as pessoas foram se encontrando e as propostas foram sendo colocadas em um grande painel. No final conseguimos costurar algumas propostas bem interessantes, que dialogam com questões atuais como economia solidária, criativa e novas linguagens. Agora é aguardar para ver o resultado”.

Pelo direito à emoção

Yuno SilvaJosé Arnor, presidente da Associação dos Surdos de NatalJosé Arnor, presidente da Associação dos Surdos de Natal
Entre os participantes da Conferência, que contou com tradução simultânea para libras (língua de sinais), estava José Arnor de Lima Júnior. Arnor, eleito representante da Conferência Municipal para a etapa Estadual (ainda sem data definida), é presidente da Associação dos Surdos  e avaliou ser fundamental incluir questões relacionadas as pessoas surdas e cegas no debate. 

“Queremos participar, interagir e se emocionar”, disse através de sinais traduzidos por Josioneide Nunes de Lima, presidente da Associação de Tradutores e Intérpretes de Libras do RN que também participou do encontro. Para José Arnor, é importante que se considere a “adaptação para libras tanto no teatro como no cinema, na música e na dança; e que seja disponibilização material em braile e tenha audiodescrição”.

Atividades na rua 

Yuno SilvaNaelson Abreu, artista de circoNaelson Abreu, artista de circo
Único representante do circo, Naelson Abreu disse que bateu na tecla da da itinerância. “A burocracia para manter um circo em funcionamento é enorme, temos que procurar de oito a nove departamentos da Prefeitura, que muitas vezes não dialogam entre si, para conseguir autorizar a instalação de uma lona”. 

Na prática, Naelson emplacou uma proposta que busca resolver a falta de espaços: para estimular proprietários de terrenos vagos a emprestar a área, ele propôs que aqueles que abrirem  espaço para atividades artísticas e culturais de caráter itinerante tenham um desconto proporcional no IPTU”. Ele sabe que algumas propostas terão que ser levadas a Câmara dos vereadores para elaboração de uma lei específica. “Se fala muito no lado lúdico do circo, mas se fica só no discurso o lúdico fica distante da realidade”.

Novatos

Yuno SilvaLucimar Ferreira, da Lapinha da Vila de Ponta NegraLucimar Ferreira, da Lapinha da Vila de Ponta Negra
O fotógrafo Pablo Pinheiro e a mestra de cultura popular Lucimar Ferreira, do grupo “Lapinha Menino Deus” da Vila de Ponta Negra, participaram pela primeira vez de uma Conferência Municipal. Pablo, que integrou o grupo de trabalho sobre Cultura e Desenvolvimento, achou as propostas bem coerentes com as estratégias e objetivos destacados para o Plano Estadual: “Fiquei bastante otimista com o que aconteceu aqui. Acredito que o conteúdo gerado irá facilitar bastante na formatação de um Plano Municipal” - Pinheiro só lamenta a baixa presença de representantes das artes visuais. “O setor em si está bem distante”.

Lucimar também estava praticamente sozinha como representante dos grupos populares. “Me sinto na responsabilidade de defender esses grupos”, avaliou. Ela ressalta que os grupos populares foram contemplados com a propostas de ter mais suporte para potencializar a participação em editais. “Precisamos de orientação”.

Os eleitos

Representantes da Conferência Municipal eleitos para a etapa Estadual

. Rodrigo Bico, ator
. Henrique Fontes, diretor e dramaturgo
. José Arnor, presidente da Associação de Surdos
. Antônia Rodrigues, produtora cultural
. Chico Alves, produtor cultural
. Diego Queiroz, produtor cultural
. Danielle Brito, produtora cultural

O novo Conselho Municipal de Cultura

Titulares

. Chico Bethoven, músico
. Paulo Sarkis, músico
. Novenil Barros, artista plástico
. Péricles Filgueira, produtor cultural
. Venâncio Pinheiro, artista plástico

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