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sábado, junho 8

A experiência radical de ‘O Bizarro Sonho de Steven’.

Urros rasgam a escuridão e a pouca iluminação do ambiente revela uma espécie de circuito cênico onde a sucessão de acontecimentos envolve o público em uma aura onírica que, a princípio, parece não fazer sentido algum. Imersos na atmosfera lírica e grotesca de “O Bizzaro Sonho de Steven”, espetáculo-experimento do grupo de teatro Facetas, Mutretas e Outras Histórias, três seres vivem no limite entre a loucura e a racionalidade – eles são fruto do desdobramento de um só corpo, entendido como a própria personificação da crise que assola uma sociedade mergulhada na mesquinhez e no individualismo inútil, combatidos de forma visceral com violência, sarcasmo e sátira.
Nesse mundo utópico e bizarro, que leva atores e público a 55 minutos de convivência extrema pela fronteira entre o real e o irreal, não há espaço para o politicamente correto:  os personagens materializados por Enio Cavalcante (Susxto), Rodrigo Bico (Srta. Puta) e Yago Oliveira (H.C.R., o aleijado) não deixam brechas para se buscar explicações cartesianas.

O clima do espetáculo ganha volume e densidade com a utilização da tecnologia (som, luz e vídeo) e a presença da trilha sonora original composta pelo cantor e compositor Júlio Lima com auxílio do próprio grupo – enquanto tudo acontece no palco-arena, o público transita em meio ao cenário e é intimado a interagir. Uma experiência radical que vale ser vivida.

“O Bizarro sonho de Steven” estreou em 2009, viabilizado pelo Prêmio Funarte Myriam Muniz 2008, permaneceu em cartaz até 2011 e teve breve retomada em sessões limitadas este ano entre os meses de maio e junho.
O ator Rodrigo Bico vive uma das três personalidades em cena
O ator Rodrigo Bico vive uma das três personalidades em cena.

Por Yuno Silva - repórter.



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